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Romário e os 1000 gols



Sem ter muito o que falar mas de olho no Brasil, e nos media brasileiros, o técnico lusitano Felipão voltou a falar asneira. Ou melhor, andou falando bobagem e querendo mostrar-se bom moço. Depois de cortar Romário e não levar o maior atacante brasileiro de todos os tempos (depois de Ronaldo, Tostão e Pelé, nesta ordem) apareceu dizendo que está orgulhoso com o facto de o "baixinho" estar prestes a marcar seu milésimo gol. "Até como brasileiro sinto orgulho. Ele vai atingir essa marca sensacional, histórica. Não só eu como a toda a Europa está levando muito a sério esses mil gols. Gosto do Romário. E ele sabe disso", disse Scolari.
Será que ele acha que as pessoas se esquecem das asneiras que só ele diz e faz. Só para lembrar, às vésperas da convocação para a Copa no Japão e Coréia, toda a população clamava pela ida de Romário. Até o presidente da Republica, Fernando Henrique Cardoso, disse que era preciso o "maior de todos os combatentes para a guerra", mas mesmo assim não adiantou. Petulante esse Felipão. Seriamos campeões de qualquer jeito, mas a presença de Romario daria mais brilho à conquista.
Scolari está de volta aos media brasileiros. Vamos esperar a próxima.
Outra dele:
"É possível treinar o Brasil e viver na Europa"...
precisa dizer algo mais sobre esse cara! Que fique por aí...e continue treinando Portugal!

Portugal nota 100


Já não acredito no Brasil. Tenho que confessar. Portugal está melhor...

Cadê o Giovanni


Realmente o Giovanni é um caso clínico. Ainda não conseguiu estrear na temporada e muita gente ainda espera por ele, fazendo aquelas jogadas de velocidade que o consagraram em 2000, quando ajudou o Cruzeiro a conquistar a Copa Brasil pela terceira vez. Já somos tetra, ganhamos em 2003.

Se ele voltar do estiramento em grande, vai ajudar bastante na temporada. Veloz, meio burro até, mas consegue criar algumas coisas interessantes para um time como o nosso. No atual time azul, uma vaga está em aberto, penso eu, e é exatamente a que Giovanni tem condições de atuar. Gosto dele e acredito que pode nos dar muitas alegrias. O treinador Paulo Autuori confia no jogador e isso pode ser um fator motivacional.

Caros benfiquistas, vocês se livraram de um jogador que é um caso clínico, como disse bem o articulista desse blog, Guilherme Pires. Mas vamos torcer para que ele volte em grande. Assim que isso acontecer, voltamos a falar.

Abraços e bons gols

Esse Felipão...


Tem muita gente por aqui que não gosta do Felipão. Eu, por exemplo, sou um deles. Esse sujeito gaúcho, que carrega consigo uma genialidade forçada e que, ainda, gostaria de sustentar a malandragem do carioca, não tem nada de atrativo. Muito barulho por nada. Deixou saudade nos porcos palmeirenses (saibam que Porco é o mascote do Palmeiras) e certamente ainda há os gremistas saudosistas, que esperam ansiosamente pela volta do déspota Scolari. Nós, fanáticos da maior nação azul celeste do planeta, não gostamos do Felipão, que veio a Minas Gerais, falou demais, e não fez absolutamente nada. Tudo bem, ganhou uma Copa Sul Minas, mas com o lateral argentino Sorin jogando de uma maneira quase escultural, ficava fácil. Acho que até o Koeman seria campeão com um time daqueles.


A torcida do Cruzeiro, melhor, a torcida brasileira, espera pelo dia 6 de fevereiro, quando, em Londres, Brasil e Portugal vão se enfrentar. Chamo a atenção para dois duelos especiais. Ronaldinho contra Deco: esse vai ser o contrapeso do clássico. Mesmo achando o camisa 10 do Barcelona o melhor do mundo, ainda, penso que Deco vai mostrar que o Brasil não poderia tê-lo deixado se naturalizar português. Apesar de a culpa ter sido do Felipão, mas isso é uma outra história.

O outro duelo, embate, contenda, será mesmo entre Dunga, o aspirante a treinador que logo de início estréia no banco de reservas na maior seleção do planeta, e o ex-treinador e pentacampeão do mundo, Luís Felipe Scolari, amado por muitos em Portugal, odiado por milhões no Brasil. Fala-se desse lado de cá do oceano que Dunga estaria apenas guardando a vaga de Felipão, que deve se desligar de Portugal após o Europeu. Por sorte de um ou azar do outro, Dunga ainda não perdeu e a filosofia implantada pelo capitão do tetra vem dando certo. Não agrada os críticos, é verdade, mas não há como falar mal dele, já que os resultados estão aí. Depois de mostrar à Argentina quem realmente manda no continente sul-americano – com uma sapatada histórica aplicada em Londres – Dunga ficou com ainda mais moral. Felipão está meio em baixa. Não se fala muito dele por aqui. Esse jogo do dia 6 pode ser a volta de Felipão aos media brasileiros e pode representar uma derrota ainda maior para Dunga, fora das quatro linhas.

Escreve: Roberto César

O olhar do outro

No jornalismo há sempre espaço para as reportagens feitas através de uma outra forma de se ver uma mesma realidade, que aos olhos das pessoas inseridas em determinado contexto, acabam por se tornar rotineiras. Seria um olhar participante, mas não enraizado na territorialidade... uma forma de ver o mesmo mundo sob outra perspectiva. Bem, isso era só para me apresentar a vocês, amigos portugueses, que a partir de hoje passam a dividir comigo (conosco) a idéia interessante desse web-blog. Antes de qualquer coisa era preciso dizer isso, explicar-me de que tudo aquilo que vier a escrever, será baseado em constatações, sem exasperar-me, como forma até de evitar as paixões clubísticas. Tenho minhas opiniões, mas vou optar por questões mais globais, mais analíticas.

Mas é por causa de futebol que fui convidado a participar dessa aventura cibernética, a escrever periodicamente, por agora daqui mesmo, de Lisboa, mas em breve, do outro lado do oceano. Então vamos a isso!

É tempo de Copa. Para nós brasileiros o ano mais especial entre todos. Esqueçam carnaval, nossas praias, nossas musas. Vamos falar apenas de futebol. Vamos falar de seleção. Mas qual delas me caberia melhor nesse momento? Depois de uma série de interrogações, dúvidas e certo receio de ser chamado de patriota logo na minha primeira coluna, resolvi falar de Portugal. Da seleção das quinas (confesso que ainda nao sei o porquê disso), de uma equipe que chega na Alemanha interessada, dentre outras coisas, a manter um título. É, Felipão é o detentor do título e, por conhecer todo o seu jeito meio egocêntrico de ser, quer fazer o possível e o impossível para levar a seleção lusitana até o dia 9 de julho, quando poderá brigar pela taça de campeã mundial.

Mas era disso que queria falar. Sobre o possível e o impossível. Portugal tem um treinador que faz isso. Torna o impossível, possível. Não faço alusão ao fato de achar que Portugal não pode ser campeão na Alemanha. Todos os 32 podem. Uns mais que os outros, é verdade, mas todos podem. Voltando ao Scolari, lembro-me de um Palmeiras e Grêmio, em 95, pela Taça Libertadores, semelhante à Liga dos Campeões. Digo semelhante, pois não há nada como aquilo. Esqueçam tudo o que viram, Libertadores é onde o futebol aparece de verdade. É onde nascem os craques, onde a paixão dos sul-americanos exarceba-se. Mas isso é uma outra história.

A escola gaúcha, de onde vem o Felipão, é conhecida pelo vigor físico dos atletas, pelo futebol força, estilo esse que às vezes pode ser confundido com violência. Tal clássico do futebol brasileiro foi bem ao estilo, bretão mesmo, onde o que não se resolvia na bola ia-se na porrada mesmo. O primeiro jogo foi em Porto Alegre, casa gremista. Um grandioso 5 a 0 para o Grêmio, treinado por Felipão. Fora o show de bola, a agremição do Rio Grande do Sul venceu na briga também. Que jogo. Que luta. No jogo da volta, o time do Parque Antártica (uso jargões para vocês irem se acostumando) precisava de cinco gols para levar a partida para os pênaltis, ao menos. E conseguiu. Mas o Grêmio, de Felipão, fez um gol, um único golzinho, que acabou proporcionando a classificação gremista, que semanas mais tarde se tornaria o campeão da Libertadores. Dois dos maiores jogos que já vi. O Palmeiras era favorito mas o Grêmio deu a volta sobre a equipe paulista.

Felipão traz consigo essa fama de tornar o impossível, possível. Não sei bem se é por dedicação plena ao trabalho ou por vocação pessoal. Ele é uma pessoa que gosta de ter o ego massageado. E consegue. Campeão com o Brasil em 2002, pode se tornar o primeiro treinador a vencer duas copas por seleções diferentes. Uma coisa ele conseguiu: unir a seleção e fazer dela a Família Scolari, bem ao seu estilo, por vezes despótico, mas que acaba por agradar os jogadores que fazem parte dela. Acredito mais no Felipão do que em sua própria seleção. Mas é preciso ter cuidado. Por vezes o impossível torna-se possível.

Abraços a todos e boas leituras!