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O Carniceiro da UEFA

O prezado camarada José Monteiro faz aqui, neste espaço de discussão da bola indígena, uma análise às capacidades de Bruno Alves, o melhor defesa central a actuar em terras lusitanas. E fá-lo de um modo depreciativo, mostrando ou tentando relembrar-nos duma faceta do jogador do FC Porto, na sua fase de aprendizagem, recorrendo, como é óbvio, a imagens de arquivo, imagens a preto e branco, (os mesmos de que se serve quando a nostalgia de um título conquistado pelo seu glorioso emblema invade-lhe a alma, tristemente abandonado pelas conquistas clubísticas).

Esquece-se, ou faz-se esquecer, o senhor José Monteiro, que o mesmo carniceiro que descreve no seu ilustre texto, foi escolhido pela UEFA, num rol de centenas de defesas centrais que abundam no Velho Continente, para uma demonstração de como se defende, daquilo que deve a abordagem aos lances por parte de um defesa. O organismo que rege o futebol europeu poderia ter recorrido a defesas consagrados no mundo da bola, casos de Cannavaro, Puyol, Ricardo Carvalho, Thuram, entre outros. Escolheu o carniceiro do FC Porto. Porque a UEFA, de repente, virou apologista da violência, prefere os quebra-tíbias em vez de jogadores de classe.

Esse mesmo carniceiro, jogador desleal, que na época transacta, nas 30 jornadas que fez, viu a módica quantia de DOIS amarelos, o que espelha bem a sua virilidade, a falta de jeito para a bola, a admiração por canelas dos adversários.

O avançado Di Maria, que fez metade dos minutos do Bruno Alves, viu mais do dobro dos cartões do central do FC Porto. Mas estes dados são pormenores, só aconteceram porque o Benfica é um perseguido pelos árbitros.

O Bruno Alves choca-se muitas vezes com os adversários ao saltar porque os mesmos não têm a capacidade de impulsão do central. Saltando com os adversários, é natural que haja contacto, uma vez que, dada a sua impulsão, o contacto das suas pernas é feito com o corpo dos adversários, já que, como referi, saltou mais alto.
P.S.: Se querem agarrar nas medalhas do Nélson Évora e Vanessa Fernandes, atletas subsidiado e pagos pelo Governo (pelo que eu saiba, o SLB não tem o triatlo como modalidade), como sendo vossas, força. Talvez, daqui a quatro anos,voltem festejar alguma coisinha.

Procura-se líder

Nunca pensei vir a dizer isto, mas foi a única coisa decente que se retirou do jogo contra os helénicos. Mais do que um digníssimo herdeiro da braçadeira de capitão do FCP, Bruno Alves é, quanto a mim, a melhor solução para complementar Ricardo Carvalho na fase final do Euro. Pepe é tão ou mais "mole" que o central do Chelsea. Bruno Alves impõe respeito e actualmente tem conseguido jogar duro sem passar dos limites. Não tem a classe, nem a velocidade, muito menos a capacidade técnica do brasileiro, mas neste momento inspira mais segurança e força, a uma equipa quase sempre mole. Pode ser um patrão da defesa e, quiça, da selecção. Infelizmente, dificilmente o será neste Euro.

PS: O Costinha ainda joga?? E será que vamos jogar com 5 centrais na fase final??

Metamorfoses


Minuto 4 da etapa segunda do U. Leiria FC Porto! Canto a favor dos dragões, a bola é afastada pela defesa da cidade Lis, esta sobre para Bruno Alves, na esquerda, fora da área. Na bancada, o alívio de cerca de mil leirienses, confiantes em mais um ataque dos dragões que não dará em nada. Sorrisos transbordam das faces dos pupilos de Paulo Duarte.


Agonia estampada com super-cola nas hostes portistas. Lisandro, ainda dentro da área, prepara-se para abandonar este posto que lhe foi confinado pelo mister, quando, de repente, algo sobrenatural lhe assalta os olhos, como navalhas de mola, pistola de calibre 38 e soquetes.


Fenómeno raro no hemisfério futebolístico, Bruno Alves, tira um adversário do caminho – não, não senhor, não o empurrou, não o tocou, não o cuspiu em cima, nada de irregular – com uma simulação de corpo. Bruno Alves entusiasma-se, dá mais dois passos, aventura-se para lá do pólo norte, transborda a órbita da Terra, saca do pé que estava mais a mão – o esquerdo, o pior dele (não que o direito seja melhor) – e tira um cruzamento que desafia as próprias leis da física. Cálculos feitos, física certa, equação desvendada, atira a bola contra a cabeça de Lisandro, que entrara em sonho profundo.


Fernando não quer acreditar. Vira Bruno Alves fazer um centro de pé esquerdo, pior, viu Bruno Alves tirar um adversário do caminho sem o empurrar. Fernando encontra-se no meio da baliza, em pensamentos vários, sobre metamorfoses e outras teorias da relatividade, quando a bola bate nas suas mãos e anicha-se no fundo das redes. Bruá no Estádio! Milagre em Leiria, com Fátima ali tão perto! Bruno Alves transforma-se em extremo.


Os centímetros da bola fora não são mais do que preciosismos de quem tenta ofuscar o brilharete de Bruno Alves. São pessoas invejosas que não conseguem viver nem sobreviver com o sucesso dos outros. O homem acaba de fazer uma simulação de corpo, tirar um adversário do caminho e cruzar com conta, peso e medida, como manda a física, para um colega marcar golo. A bola até podia ter sido cruzado do Mosteiro de Alcobaça. O que é que isso interessa??? Nada irá apagar o feito de Bruno Alves.



O futebol é uma caixinha de surpresas. Caixinha não, um ganda caixote!